Terça-feira, 25 de Abril de 2006

O Abril de cada um: "Devo a vida a um Carocha!"




A forma como vivi esse dia é frequentemente recordada na minha mente. Alguns sinais desse dia não me largam a memória:


- A chuvinha miúda e incessante, mais teimosa durante a tarde..., molhava até os ossos;


- Aquele estúpido chapéu de chuva colorido e tão fora do seu tempo, contrastava com o negro do chuvoso final de tarde, envolta em silvos de sirene e apelos repetidos para que se deixassem socorrer os feridos;


 - O negro VW, miraculosamente para mim, estacionado em frente do Teatro da Trindade;


- A bala que não dói ao atravessar a carne, mas apenas adormece o corpo e faz tombar;


 - O pânico da prisão, misturado com profunda revolta e raiva pela traição;


 - A horrível memória de puxar corpos, alguns já sem vida;


 - A fuga saltitante do ferido em busca de tratamento em lugar seguro.


São estas as mais fortes memórias que este, então jovem de 19 anos, guarda em si! Pulara da cama e dirigira-se, como de costume, para o comboio da 8h 05m. Seriam 8h 20m quando se apeou no Rossio, rolo de desenhos debaixo do braço, a caminho do Metro que o levou ao Saldanha.


Trabalhava então como desenhador projectista e tinha levado muito trabalho para casa que teria que entregar nessa manhã. A vida de estudo e trabalho consumia o tempo todo (dormia pouco e dava algum tempo às actividades associativas estudantis).


Já no atelier, é pelo Rádio Clube Português que fica a saber o que se passara. Mais notícias vão surgindo com a chegada de cada colega, que a sua maneira colheu novidades por onde andou. Decide que só depois do almoço iria misturar-se com as multidões e captar imagens dos acontecimentos, mas para isso teria que ir a Queluz buscar a F1 e rolos.


(continua...)

publicado por aalmeilda às 12:17
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1 comentário:
De Palma a 30 de Abril de 2006 às 01:30
--- Neste 32º Abril após a queda do 24 cá estou para te dizer que detesto as carochas mas não há dúvida que esse carocha vale ouro. E agora que estamos próximo do 1º de MAIO espero ler aqui no Sebastião Livre e Democrático, uma das tuas histórias sobre estas datas, que pouco a pouco vão sendo menos festejadas. Estamos vivos . É isso que interessa. Vivos e sem vergonha de ostentar essa flor tão linda que é o cravo. As espanholas ... que o digam...rs...


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