Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

Biografia de Miguel Torga- Contributo de um visitante do Blog!

Torgad.jpg


Com o agradecimento do "seBASTIÃO" e promovido a conteúdo, aqui vai o comentário do António Simão:


BIOGRAFIA

Escritor português natural, de São Martinho de Anta, Vila Real. Proveniente de uma família humilde, teve uma infância rural dura, que lhe deu a conhecer a realidade do campo, sem bucolismos, feita de árduo trabalho contínuo. Após uma breve passagem pelo seminário de Lamego, emigrou com 13 anos para o Brasil, onde durante cinco anos trabalhou na fazenda de um tio, em Minas Gerais, como capinador, apanhador de café, vaqueiro e caçador de cobras. De regresso a Portugal, em 1925, concluiu o ensino liceal e frequentou em Coimbra o curso de Medicina, que terminou em 1933. Exerceu a profissão de médico em São Martinho de Anta e em outras localidades do país, fixando-se definitivamente em Coimbra, como otorrinolaringologista, em 1941.

Ligado inicialmente ao grupo da revista Presença, dele se desligou em 1930, fundando nesse mesmo ano, com Branquinho da Fonseca (outro dissidente), a Sinal, de que sairia apenas um número. Em 1936, lançou outra revista, Manifesto, também de duração breve.

A sua saída da Presença reflecte uma característica fundamental da sua personalidade literária, uma individualidade veemente e intransigente, que o manteve afastado, por toda a vida, de escolas literárias e mesmo do contacto com os círculos culturais do meio português. A esta intensa consciência individual aliou-se, no entanto, uma profunda afirmação da sua pertença à natureza humana, com que se solidariza na oposição a todas as forças que oprimam a energia viva e a dignidade do homem, sejam elas as tiranias políticas ou o próprio Deus. Miguel Torga, tendo como homem a experiência dos sofrimentos da emigração e da vida rural, do contacto com as misérias e com a morte, tornou-se o poeta do mundo rural, das forças telúricas, ancestrais, que animam o instinto humano na sua luta dramática contra as leis que o aprisionam. Nessa revolta consiste a missão do poeta, que se afirma tanto na violência com que acusa a tirania divina e terrestre, como na ternura franciscana que estende, de forma vibrante, a todas as criaturas no seu sofrimento. Mas essa revolta, por outro lado, não corresponde a uma arreligiosidade ou recusa da transcendência.
A sua obra, recheada de símbologia bíblica, encontra-se, antes, imersa num sentido divino que transfigura a natureza e dignifica o homem no seu desafio ou no seu desprezo face ao divino. A ligação à terra, à região natal, a Portugal, à própria Península Ibérica e às suas gentes, é outra constante dos textos do autor. Ela justifica o profundo conhecimento que Torga procurou ter de Portugal e de Espanha, unidos no conceito de uma Ibéria comum, pela rudeza e pobreza dos seus meios naturais, pelo movimento de expansão e opressões da história, e por certas características humanas definidoras da sua personalidade. A intervenção cívica de Miguel Torga, na oposição ao Estado Novo e na denúncia dos crimes da guerra civil espanhola e de Franco, valeu-lhe a apreensão de algumas das suas obras pela censura e, mesmo, a prisão pela polícia política portuguesa.

Contista exímio, romancista, ensaísta, dramaturgo, autor de mais de 50 obras publicadas desde os 21 anos, estreou-se em 1928 com o volume de poesia Ansiedade. Também em poesia, publicou, entre outras obras, Rampa (1930), O Outro Livro de Job (1936), Lamentação (1943), Nihil Sibi (1948), Cântico do Homem (1950), Alguns Poemas Ibéricos (1952), Penas do Purgatório (1954) e Orfeu Rebelde (1958). Na ficção em prosa, escreveu Pão Ázimo (1931), Criação do Mundo. Os Dois Primeiros Dias (1937, obra de fundo autobiográfico, continuada em O Terceiro Dia da Criação do Mundo, 1938, O Quarto Dia da Criação do Mundo, 1939, O Quinto Dia da Criação do Mundo, 1974, e O Sexto Dia da Criação do Mundo, 1981), Bichos (1940), Contos da Montanha (1941), O Senhor Ventura (1943, romance), Novos Contos da Montanha (1944), Vindima (1945) e Fogo Preso (1976).

É ainda autor de peças de teatro (Terra Firme e Mar, 1941; O Paraíso, 1949; e Sinfonia, poema dramático, 1947) de volumes de impressões de viagens (Portugal, 1950; Traço de União, 1955) e de um Diário em dezasseis volumes, publicado entre 1941 e 1994. Notável pela sua técnica narrativa no conto, pela expressividade da sua linguagem, frequentemente de cunho popular, mas de uma força clássica, fruto de um trabalho intenso da palavra, conseguiu conferir aos seus textos um ritmo vigoroso e original, a que associa uma imagística extremamente sugestiva e viva.

Várias vezes premiado, nacional e internacionalmente, foram-lhe atribuídos, entre outros, o prémio Diário de Notícias (1969), o Prémio Internacional de Poesia (1977), o prémio Montaigne (1981), o prémio Camões (1989), o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1992) e o Prémio da Crítica, consagrando a sua obra (1993).

publicado por aalmeilda às 19:47
link do post | comentar | favorito
|
7 comentários:
De Antnio Almeida a 19 de Agosto de 2007 às 11:01
Claros amigos! Tenho conhecimento das actuais agências de emprego sendo voz corrente que as Infras são a via de empregabilidade que a C. M. L. utiliza no momento! Há de tudo: Gestores e Administradores, quadros e operários... Poderei comentar mais... mas não acho ser assunto para tema no Blog! Estou pela positiva e sinto repugnância por este tipo de habilidades. É só atender a alguns colocados, a esposa de um vereador, a nora do adjunto/assessor (ainda não compreendi como designar "o portas"), ... principais e melhor colocados, indicam favorecimento e o mais que queiramos considerar; mas, como ainda acontece: "Quem tem a faca e o queijo... governa-se!" Devia haver transparência e concursos públicos de admissão, mas o poder autárquico mantém o controlo sobre as actividade que alienou. É muito mau, mas indica o "massa" de que o poder é feito!


De Milo a 18 de Agosto de 2007 às 18:32
Um grande DEMOCRATA que nos faz esquecer aquela coisa do Pontal de Quarteira que de Democracia não tem nada. Apenas nos envergonha a todos quer sociais democratas e os outros. Estou farto destes democratas de praia que gritam quais vendedores de banha da cobra em dia de pouca freguesia. MILO


De Fernando a 18 de Agosto de 2007 às 18:20
---- Afinal o que é isso das Infras ? Explique lá melhor amigo Ruce. Fernando


De carrega na burra@ps.pt a 18 de Agosto de 2007 às 18:15
Ó Ruce andou a fumar daquela coisa que faz rir ou é mesmo feitio, cuidado que eles já fazem o teste aos estupfacientes e as multas são caras


De Ruce a 17 de Agosto de 2007 às 20:55
Oh Páh! Almeida...abre lá ai um novo Post PáH...
Será que ninguem fala das Infras Pah...Dos empregos Dos Filhos Pah; das Esposas Pah; dos Amigos Pah...

São dezenas Pah...Denuncia estas merdas Almeida...


De Milo a 15 de Agosto de 2007 às 00:55
Estive a ler algumas coisas do seu blog nomeadamente o post do Arquivo. Há ali muita coisa interessante.
Pelo jeito, aí em Loulé também se esquecem de nomear os nomes dos que deram o coiro e a imaginação para fazer x algumas obras que depois, no dia da inauguração os Alcaides se esquecem de nomear com o intuito escandalosamente anti democrático de chamar a si a obra toda. Será que qualquer dia começam também a dizer que foram eles que abriram os «caboucos» pela calada da noite ? Tanto provincianismo aborrece e não só.
Quanto ao Torga das Letras muito lhe devem os portugueses que gostam de LETRAS. Boas Noites. MILO


De Lisa a 15 de Agosto de 2007 às 00:24
Torga o sempre inesquecível escritor trasmontano, merece sempre ser recordado. Parabéns a quem dele se lembrou. Lisa


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Agosto 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

13
15
16
17
18

21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


.posts recentes

. Novo Espaço para o "seBAS...

. Estacionamento Eleitoral!...

. Biografia de Miguel Torga...

. 100 anos de Torga... Libe...

. Do rico espólio documenta...

. "Tomada do Castelo"... de...

. Inauguração Amanhã!

. Vem à Terra o mais ilustr...

. Silêncio à espera de Agos...

. A uma Boa Notícia ofereço...

.arquivos

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds